Ei, você, filho do tumulto,
já ouviu falar do silêncio?
Para você não é aquele
absoluto e enlouquecedor,
não é o silêncio de ser
e estar imerso no vácuo.
Para você é a ausência
daquelas vozes que tanto
lhe perturbavam quando
reclamava de tudo
e vivia num Paraíso
feito de tijolos podres,
carinho e discussão.
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domingo, 24 de março de 2013
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Gama
Guria, essa tua mão
delicada jamais tinha
de se apoiar em paredes
tão sujas, tão sujas, tão...
Esses teus braços esguios
deviam estar ao redor
de meu corpo e só meu corpo...
Diga que não adoras quando
me dás a mão e brinco com
teus dedos, dou leves tapas
em teu corpo que me aquece
as mãos, as pernas e o peito,
te enrubesces toda meiga
com meu suor sobre ti.
Menina, te quero tanto.
Quero que pares de olhar,
quero que perca-te em meu
colo e me deixe levar-te
novamente por caminhos
aqueles lindos e estranhos
que antes já cruzamos juntos.
Menina, sabes que minha
dedicação é limitada,
que meu corpo não te aguenta
como antes, mas mesmo assim,
meu desejo é te carregar
por todo lado, sujar-me
contigo, dançar contigo,
limpar teu corpo suado,
trocar tuas roupas sem cor,
dedilhar teus lindos braços,
perder-me completamente
em teus gritos e gemidos.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Cassiopeia
Já não posso mais acreditar
em tua resolução de voltar,
todos os dias, respirando...
Expirando teu hálito quente
entre o pescoço e o peito,
aquecendo meus pés gélidos
e um coração tão longíquo.
Inspirando meus olhares,
minhas músicas e minhas letras,
meus sorrisos e minhas lutas.
Por que resolveste recostar-te
em minhas costas e meus braços,
após abandonar sem dó
meu corpo suado frente a ti,
de lábios cortados de saudade
e a cabeça no esquecimento?
Pois já não faz mais sentido,
essa tua beleza sem razão,
teu corpo de curvas e calor,
teus assim tão radiantes:
voltarem-se a mim
nunca fez sentido.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Quando a cortina caiu e gravei sua voz em minha cabeça, perguntei:
Você se lembra de meu nome?
Meus lábios o desenharam
enquanto desejavam os seus:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos serenos,
sereno suave que cai,
cada fresca gota cai
lúcida como quando lhe ouvi
em nosso único momento:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos de sol,
cantando a paixão pelo pai
e o vil amor ao que faz -
amor que devia de ser meu,
sempre meu, a lhe escutar
sempre, sempre seu, quieto:
tagarelando, tagarelando,
despontando os dentes
e os olhos muito negros
em raios de contentamento.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Justo
Tantas vezes que fui protegido,
que chamas de brinquedo
queimaram o tecido
de vossas mãos sofridas,
penso nelas e me compadeço tristemente
do amor tenro que me tendes
e da dor silenciosa que vos causo.
É por isso que, sem remorsos
ou arrependimentos de qualquer sorte,
mergulho no sol e me deixo ebulir
com essa proximidade corrosiva:
só pelos olhos e um sorriso novo
em rostos envelhecidos pelo calor.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Noventa e dois
Tem alguém em casa?
Exceto pelo teto e o sofá,
sinto que estou sozinho
desde noventa e dois.
Sentei e esperei,
com riscos coloridos
ao redor do calendário,
sua mão chegar junto da minha,
seus lábios tenros
sussurrarem canções de amor
aos meus ouvidos,
nossas pernas se entrelaçarem
no símbolo do infinito...
E não é a primeira vez
que espero a felicidade
chegar quando ela inexiste.
Peco para me convencer
de que o que não foi
só pertence as memórias,
para ter certeza que,
em meus ombros mirrados,
não carrego suas mágoas.
Mas todo o esforço se vai,
quando faço amor com o sofá
e adormeço inquietantemente,
para sonhar em desespero
com minhas mágoas
e seus pecados mal resolvidos.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Acordo Pré-Nupcial
Na próxima vez que se deitar comigo,
considere-se bastante doente:
estará fodendo com um morto.
Deliberadamente.
Abra um sorriso em meu rosto,
de orelha a orelha, permanente.
Nunca mais serei o mais triste,
nunca mais serei sério ou real.
Agarre minhas mãos, guie-as
por seu corpo que esfria cada
segundo que toca o meu, gelado:
feche meus olhos em minha paz orgástica.
Passe de mãos em mãos, por quartos
e carros, bocas e fodas, curta
cada momento como se fosse o último,
pois, na verdade, todos serão.
Perdemos nossa capacidade de ser,
e dói fundo na minha alma ter ciência
de que, no final do dia,
simplesmente odeio não amar você.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Enquanto você dançava...
Às vezes, quando o escuro vem
e o dia chora seu entardecer,
fico eu aqui procurando quem
passa entre passos baqueados
por entre todos, por ninguém
em busca de uma nota limpa ou,
do vício do qual sou refém,
de cantos mais que imaginários,
recantos muito mais além
de vossos sonhos refratários,
das paixões que já não tem.
E toda noite eu sigo assim,
enquanto o som não me quer bem,
e tu danças longe de mim...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Rascunho
Era tudo tão pálido...
A esqualidez imoral da luz solarbanhava a vastidão vazia da vida,
derramava gotas de luz entre nuvens,
árvores, carros e pessoas,
manchando as sombras de meu caminho.
Cores liquefeitas embaralhavam-se
em meu olhar cansado,
confundiam o toque de meus dedos
que apalpavam-nas a sua procura,
de norte a sul a centro a sul e sul,
toque afoito na desesperança de não lhe ter
por um dia a mais que fosse,
por um segundo a mais que passasse
sentindo o suor frio escorrer por meu corpo.
E a palidez se dissipou aos poucos,
enquanto a distância desaparecia
afugentada pelo imponente céu azul
e adereços crepusculares inéditos,
dos quais coroei teu sorriso sincero
e teu abraço inquieto.
E foi tudo tão cálido...
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Ânsias
Os dias são livres,
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
Tão, tão distante...
Quando o amanhecer preludia o dia ainda por vir,
os olhos insones contemplam este inferno:
o meu acordar sem sentir teu corpo bulir,
a tua respiração quente e o teu toque terno.
Se fosses tu desnecessária ao meu viver,
se fosses tu somente a feliz ilusão,
poderia desfazer-me de meu bem-querer
e ansiar por minha auto-destruição.
Forjado no sangue carmesim pelo fogo,
o duelo da paixão e da dor forma um jogo
cujo vil dever é fazer sacrificar
Cada parte desta nossa ingênua saudade,
que, sabemos, é maior que a realidade,
como este amor que nos permite respirar.
os olhos insones contemplam este inferno:
o meu acordar sem sentir teu corpo bulir,
a tua respiração quente e o teu toque terno.
Se fosses tu desnecessária ao meu viver,
se fosses tu somente a feliz ilusão,
poderia desfazer-me de meu bem-querer
e ansiar por minha auto-destruição.
Forjado no sangue carmesim pelo fogo,
o duelo da paixão e da dor forma um jogo
cujo vil dever é fazer sacrificar
Cada parte desta nossa ingênua saudade,
que, sabemos, é maior que a realidade,
como este amor que nos permite respirar.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Rétribuer
Porto inseguro que me tornei,
o sorriso da boca lhe fugiu
com as memórias suas
de ausências minhas,
estas das quais eu era o rei
que lhe tomava o corpo servil.
Se de suas mágoas fiz o meu desejo,
mais ainda alimentei-me do teu prazer,
fui a formiga e você, a rainha,
que coroada da própria tirania
fez do amor para ruína o ensejo,
l'opportunité de ne pas récompenser...
o sorriso da boca lhe fugiu
com as memórias suas
de ausências minhas,
estas das quais eu era o rei
que lhe tomava o corpo servil.
Se de suas mágoas fiz o meu desejo,
mais ainda alimentei-me do teu prazer,
fui a formiga e você, a rainha,
que coroada da própria tirania
fez do amor para ruína o ensejo,
l'opportunité de ne pas récompenser...
domingo, 24 de outubro de 2010
Transição
Fiz de teu sorriso
minha mais pura alegria.
Fiz de tua virtualidade irreal
a presença onipresente
em meu escuro viver.
Nos dias da pulsante solidão,
escondido fora dos mapas,
fora do ar e do radar,
teu perfume ideal me consome,
dá-me o norte e o sentido.
Meu querer se tornou absorto
em tuas linhas perfeitas,
absoluto em tua posse.
inexistente em tua ausência...
minha mais pura alegria.
Fiz de tua virtualidade irreal
a presença onipresente
em meu escuro viver.
Nos dias da pulsante solidão,
escondido fora dos mapas,
fora do ar e do radar,
teu perfume ideal me consome,
dá-me o norte e o sentido.
Meu querer se tornou absorto
em tuas linhas perfeitas,
absoluto em tua posse.
inexistente em tua ausência...
sábado, 9 de outubro de 2010
Em um reino muito, muito distante...
E agora?
Onde foram os dias
em que sonhava apaixonado
com teus olhos e teu toque?
Onde te escondeste,
fugida de meus abraços?
Onde coloquei minha cabeça?
Troquei esperanças
por nossa felicidade,
troquei este coração meu
por carregar maravilhado
um pequeno pedaço do teu.
Onde foram os dias
em que sonhava apaixonado
com teus olhos e teu toque?
Onde te escondeste,
fugida de meus abraços?
Onde coloquei minha cabeça?
Troquei esperanças
por nossa felicidade,
troquei este coração meu
por carregar maravilhado
um pequeno pedaço do teu.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Dois
Mil invernos passariam por nós
e os medos dos erros ecoariam.
Nossos gritos soam juntos no instante
memorável dentro destas memórias...
Descontruo minha vida tão incógnita
por sobre a tua em portentosa união,
unidade divina esplendorosa,
equilíbrio acalorado contente
da dualidade única e amorosa
de nossa existência tão ímpar quanto ávida,
do sonho perfeito de tua paixão...
e os medos dos erros ecoariam.
Nossos gritos soam juntos no instante
memorável dentro destas memórias...
Descontruo minha vida tão incógnita
por sobre a tua em portentosa união,
unidade divina esplendorosa,
equilíbrio acalorado contente
da dualidade única e amorosa
de nossa existência tão ímpar quanto ávida,
do sonho perfeito de tua paixão...
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Meu
Tal qual só poderia ser meu,
abstração encantadora possessiva...
Tais linhas só poderiam ser tuas,
adoração silenciosa toda minha...
abstração encantadora possessiva...
Tais linhas só poderiam ser tuas,
adoração silenciosa toda minha...
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Bem antes da salvação
Se aqui te chamo de musa,
comprovo os pontos de vista,
meu, do talentoso Nattier
e dos ideais perpétuos
da beleza tão perfeita.
Se dos teus passos as flores,
as mais belas flores, surgem,
a fantasia dos sonhos
faz desta vida a alegria,
pois tenho a felicidade
nos braços da minha Tália.
comprovo os pontos de vista,
meu, do talentoso Nattier
e dos ideais perpétuos
da beleza tão perfeita.
Se dos teus passos as flores,
as mais belas flores, surgem,
a fantasia dos sonhos
faz desta vida a alegria,
pois tenho a felicidade
nos braços da minha Tália.
sábado, 14 de agosto de 2010
Escolhas cegas
O carrossel corre inquieto,
suas belas engrenagens
contam com a eterna chuva do tempo,
para prosseguirem com este movimento
confuso, atordoado...
Sobre os cavalos coloridos,
branco, vermelho, preto e baio,
sentei-me a espera da revelação,
aguardando a iminente chegada.
Chegada esta incógnita,
anjos ou demônios, qualquer um,
cairiam sobre mim.
A fúria ou a paz, ou seria, talvez,
a paz ou a fúria?
A luta atormenta a placidez
de uma mente cujo descanso é negado,
por seres celestiais ou infernais,
de olhos azuis ou muito verdes,
dedicando o tempo eterno do carrossel
para tamanha jornada.
E se o anjo tivesse na sua ternura
horário marcado, terreno delineado,
não seria melhor repousar na dedicação
incansável da tortura ininterrupta,
das colisões infernais de pensamentos,
sentimentos e fugas esquecidas,
esquecidas no tempo
em que o carrossel era um brinquedo
e o tempo, um relógio?
suas belas engrenagens
contam com a eterna chuva do tempo,
para prosseguirem com este movimento
confuso, atordoado...
Sobre os cavalos coloridos,
branco, vermelho, preto e baio,
sentei-me a espera da revelação,
aguardando a iminente chegada.
Chegada esta incógnita,
anjos ou demônios, qualquer um,
cairiam sobre mim.
A fúria ou a paz, ou seria, talvez,
a paz ou a fúria?
A luta atormenta a placidez
de uma mente cujo descanso é negado,
por seres celestiais ou infernais,
de olhos azuis ou muito verdes,
dedicando o tempo eterno do carrossel
para tamanha jornada.
E se o anjo tivesse na sua ternura
horário marcado, terreno delineado,
não seria melhor repousar na dedicação
incansável da tortura ininterrupta,
das colisões infernais de pensamentos,
sentimentos e fugas esquecidas,
esquecidas no tempo
em que o carrossel era um brinquedo
e o tempo, um relógio?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Para um certo alguém
Ah, se eu fosse simples
e os compassos, quarternários,
se soubesse mais,
mais sobre palavras
e não fizesse do contraponto
meu principal argumento...
Ah, se eu indagasse será,
confundisse gigantes com dragões,
se ainda fosse cedo,
se o tempo não parasse
e a forma não fosse sonata...
Ah, se não fosse o pedantismo
de um mundo meu tão erudito,
talvez você soubesse menos,
menos sobre a matemática,
e mais sobre meu amor.
e os compassos, quarternários,
se soubesse mais,
mais sobre palavras
e não fizesse do contraponto
meu principal argumento...
Ah, se eu indagasse será,
confundisse gigantes com dragões,
se ainda fosse cedo,
se o tempo não parasse
e a forma não fosse sonata...
Ah, se não fosse o pedantismo
de um mundo meu tão erudito,
talvez você soubesse menos,
menos sobre a matemática,
e mais sobre meu amor.
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