Mais vezes sim do que não,
certo é desaparecer.
Talvez queira, talvez não,
talvez seja menos claro
do que algo pra por a mão,
mas há dias complicados,
há vozes que não se vão,
há tempos dilacerados
sem porquês pra essa tensão,
e tanta coisa faltando,
bolhas de ar no coração...
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sábado, 10 de agosto de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
Polirritmia
Lavei minhas mãos, com cuidado,
e me deixei assistir as luzes,
vítimas deste sono holístico
que assombra o horizonte.
A última restou mais que deveria,
a última é a que foi esquecida.
De minha colina mais alta,
vejo o perfil dos prédios
tingir-se com luzes liquefeitas
de cores variadas, verdadeiras,
ilusórias e esperançosas,
também tristes pela mesmice.
Nesse padrão, feito de divindades
e betão, tudo era igual, sempre.
Até que um dia me disseram
que tudo era tão rápido,
que era eu o atônito,
que o mundo mudara
e já não restava paciência
nos dedos vorazes
a bolinar o interruptor.
e me deixei assistir as luzes,
vítimas deste sono holístico
que assombra o horizonte.
A última restou mais que deveria,
a última é a que foi esquecida.
De minha colina mais alta,
vejo o perfil dos prédios
tingir-se com luzes liquefeitas
de cores variadas, verdadeiras,
ilusórias e esperançosas,
também tristes pela mesmice.
Nesse padrão, feito de divindades
e betão, tudo era igual, sempre.
Até que um dia me disseram
que tudo era tão rápido,
que era eu o atônito,
que o mundo mudara
e já não restava paciência
nos dedos vorazes
a bolinar o interruptor.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Gama
Guria, essa tua mão
delicada jamais tinha
de se apoiar em paredes
tão sujas, tão sujas, tão...
Esses teus braços esguios
deviam estar ao redor
de meu corpo e só meu corpo...
Diga que não adoras quando
me dás a mão e brinco com
teus dedos, dou leves tapas
em teu corpo que me aquece
as mãos, as pernas e o peito,
te enrubesces toda meiga
com meu suor sobre ti.
Menina, te quero tanto.
Quero que pares de olhar,
quero que perca-te em meu
colo e me deixe levar-te
novamente por caminhos
aqueles lindos e estranhos
que antes já cruzamos juntos.
Menina, sabes que minha
dedicação é limitada,
que meu corpo não te aguenta
como antes, mas mesmo assim,
meu desejo é te carregar
por todo lado, sujar-me
contigo, dançar contigo,
limpar teu corpo suado,
trocar tuas roupas sem cor,
dedilhar teus lindos braços,
perder-me completamente
em teus gritos e gemidos.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Saudades
Foi hoje que percebi:
em São Paulo, não há
dia nublado sem garoa,
marginal sem acidente,
sorriso sem depressão,
esta sem exposição,
sol frio sem nuvens,
árvores sem vida,
asfalto sem buracos,
um sem o outro.
Dia sem fúria,
noite sem medo,
eu sem saudades.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Menino
Quando minha hora e vez chegaram
servi de consolo para mensagens
sem destino,sem respostas do menino
que as escreveu para se acalmar:
palavras desmoronaram sobre medos
e vilões que lhe chibatavam o peito.
Decerto veria o menino em seu destino
suas palavras se tornarem estéreis
sob o julgo deste meu tino perdido.
E de seu rebento a ausência,
deu ao mundo sua ilustre presença
falada em cigarros, cantada em cerveja,
velada em palavras feitas de nada.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Telefonema
Quero desesperadamente justificar
minha moral em declínio.
Minhas viciosas corrupções morais
são reflexos da imperfeição
de minha complexa natureza, ser
humano, ser assim, permite-me
ser de todo jeito que sei
não ser o que deveria.
E teu número é?
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Noventa e dois
Tem alguém em casa?
Exceto pelo teto e o sofá,
sinto que estou sozinho
desde noventa e dois.
Sentei e esperei,
com riscos coloridos
ao redor do calendário,
sua mão chegar junto da minha,
seus lábios tenros
sussurrarem canções de amor
aos meus ouvidos,
nossas pernas se entrelaçarem
no símbolo do infinito...
E não é a primeira vez
que espero a felicidade
chegar quando ela inexiste.
Peco para me convencer
de que o que não foi
só pertence as memórias,
para ter certeza que,
em meus ombros mirrados,
não carrego suas mágoas.
Mas todo o esforço se vai,
quando faço amor com o sofá
e adormeço inquietantemente,
para sonhar em desespero
com minhas mágoas
e seus pecados mal resolvidos.
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Se lembrares que existi
Se notares entre as linhas furtivas
de meu olhar que ele é fixo no teu corpo,
imploro que o deixe permanecer.
Se notares meu suspiro cansado
que mancha o ar tão puro que inspira, imploro-te,
de vez por todas, que o deixe quieto,
permita-o perecer sob a tensão
que criei entre nós e que pedacinhos
do ar que respiro cheguem até ti.
Se notares olheiras, não pergunte
jamais se deixei de dormir por ti.
Se notares as razões, alegrias
e os vícios, peço que leve-os contigo
para a cova confortável de teu
adormecer, e divida-os comigo
lá, quando chegar lá, onde tu, morta,
me encontrarás vivo sonhando com
a bela vida que nunca tivemos.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Cangaço
Está frio. Congelo sob o Sol
de trinta e cinco graus.
Meu sorriso racha no ar seco,
sinto falta de sorrisos sadios
desperdiçados sem razão
e destes sonhos de criança
que nunca compartilharei.
Ainda estou aqui, depois destes
segundos que são como eras,
cantando músicas fúnebres
sob a chuva que nunca cai.
Ainda estou no meio deste mar,
mar de areia, concreto e isolação,
rezando para que o vento...
Para a remota chance de
que ele te carregue até
um pouco mais perto.
Rezando para que ele traga
minha alma de volta ao corpo.
domingo, 22 de julho de 2012
Vergonha
Desconstruo o mundo com sorrisos
que há muito não são meus
e epitomizo seios e corações
em gestos de extinta satisfação.
Interpreto miados e latidos
discutindo com som de chuva,
converso com almas e paredes
cada momento acordado
para chegar enfim ao alívio
divino do adormecer.
Tão divino, quando durmo
padeço da observação inquieta
dos traços menos desejados
do meu mundo em implosão,
mas tudo é perdoado, pois
quando durmo sou abençoado
com o esquecimento
de meus sonhos e do mundo,
sou desconstruído entre a cegueira
e minha ambivalência virtual,
vomitada em linhas sem sentido.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Tons de negro
Uma olhada na porta do labirinto:
um passeio pela beira do abismo.
Um rio repleto de arrependimento,
um caminho que já não tem mais volta.
Um dia, umas horas, um almoço ou uma noite.
Pouca soberba esbanjando falta,
uma gana reprimida e afastada,
uma culpa por não fazer nada.
Umas frases um tanto randômicas,
um compasso tão descompassado.
Um exemplo bastante ruim,
e um final quase que inesperado.
sábado, 23 de junho de 2012
Global
Entre trópicos e polos moribundos
escrevemos a saga épica do vazio
abissal que se fez entre cada um.
Neste palco perpétuo, enfeites distintos
dados por transeuntes e almas penadas,
que em seus papéis vendidos ao acaso
temem como a morte a própria existência,
penduram-se nos céus de carbono,
corroem corações e sorrisos de gelo
e desregulam o sistema de superlativos,
o mais infame de todos protagonistas.
Pois tudo que hoje é, é demais.
É grande demais, a proximidade
é grande demais, a distância
é grande demais, e tanta grandeza
é grande demais para não ser celebrada.
E celebramos, como celebramos,
enquanto os laços enfraquecem,
a apatia se torna a delineadora
capital das pessoas, celebramos
nosso mundo, nosso sistema, nosso dinheiro,
que é sempre próprio, de um. Meu.
Teu. E quanto mais comparilhamento,
menos dividimos. Quanto mais conexões,
menos pensamos. E quanto mais, menos.
Todos temos em comum duas coisas:
mais paliativos festejantes
e menos grandeza em cada alma.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Uma rua
Acordei, meio que em transe.
Perguntei-me o que era isso,
que isso era a tal alegria,
que era isso, triste e vazia
rua que segue sozinha,
imperturbável em sua
jornada sem um início,
um meio, um fim, um propósito.
Acordei, meio que em trânsito.
Em meio aos carros, na rua,
rua que segue sozinha,
imperturbável em sua
jornada sem um início,
um meio, um fim, um propósito.
Acordei, meio que em transe,
no meio desta rua só
há tudo que sei querer,
nesta rua desgostosa,
onde não experimentei
nada, exceto nada mesmo.
Segui a rua, tão sozinha,
deixada por seus sabores,
por seus amores e dores,
nela nao experimentei
nada, exceto a caminhada.
Acordei, meio que em trânsito,
perambulando na vida,
sem gosto na minha boca,
sem calor neste meu peito,
perambulando na rua,
rua que segue sozinha,
imperturbável em sua
jornada sem um início,
um meio, um fim, um propósito.
Acordei, meio que em transe,
para ver o que era isso,
tamanha alegria, tão
estranha a esta minha rua,
rua que segue sozinha,
imperturbável em sua
jornada sem um início,
com uma história para contar,
desta tão grande alegria,
sem meio, sem fim, sem propósito.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Pose
Sou o horizonte desolador do destino,
repleto pelo vácuo dos corações
secos que carregamos através
deste caminho perene e solitário.
Sentimentos rançosos cruzam mindinhos
com suas crias desformes e malignas,
Nosso sicofantismo celebra a dor
de nossa existência insípida e egocêntrica.
Nossa semeadura se torna profana,
enquanto colhemos reflexos criados
por nosso inédito holocausto moral
através de reflexões enegrecidas
mergulhadas nas cores ausentes do
amanhecer e deste ermo entardecer.
Estamos condenados a subsistirr,
sem jamais experimentar o viver.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Abrigo
Da chuva, da neve, do sol, do medo,
dos estranhos, dos familiares, da família,
do bom, do ruim, do bem e do mal,
de tudo que pode ser real.
Sob meu abrigo, dizes calmamente
que o tempo podemos parar,
enquanto sonhamos com os males
dos quais te protejo.
Ah, se soubesses tu,
que de dentro de teu abrigo
queima a única existência
que o pode incendiar...
domingo, 27 de março de 2011
Entre a lâmina e o abismo
Entre a lâmina e o abismo,
entre as glórias e os orates,
sou humano, livre da culpa de pecar.
Falível - falido -,
a consciência fomenta o medo,
o medo tritura a alma,
a alma molesta o corpo.
Dedicadas a beleza perdida
de um mundo atrasado,
minha prisão de vidro,
minha proteção do tempo
e minha ética arcaica
despedaçaram-se em segundos.
Ente desprovido de direção,
sou exemplo incomparável
da teleologia mal construída.
Videiro da vida alheia,
a voz que ecoa em mim
suscita o ocaso...
Temo pelos bosques,
pelos rios e pelas crianças:
se sou esperança,
o que espero dos que não são?
entre as glórias e os orates,
sou humano, livre da culpa de pecar.
Falível - falido -,
a consciência fomenta o medo,
o medo tritura a alma,
a alma molesta o corpo.
Dedicadas a beleza perdida
de um mundo atrasado,
minha prisão de vidro,
minha proteção do tempo
e minha ética arcaica
despedaçaram-se em segundos.
Ente desprovido de direção,
sou exemplo incomparável
da teleologia mal construída.
Videiro da vida alheia,
a voz que ecoa em mim
suscita o ocaso...
Temo pelos bosques,
pelos rios e pelas crianças:
se sou esperança,
o que espero dos que não são?
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Ânsias
Os dias são livres,
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Isn't it something
Isn't it great how dreams were born?
Tomorrow bear the wonders,
today bears the fear of it.
Isn't it something...
Isn't it marvelous to seek,
desperately and in sickness,
for that other fashion -
that other way which you know -
you cannot pass it by.
Tomorrow bear the wonders,
today bears the fear of it.
Isn't it something...
Isn't it marvelous to seek,
desperately and in sickness,
for that other fashion -
that other way which you know -
you cannot pass it by.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Rétribuer
Porto inseguro que me tornei,
o sorriso da boca lhe fugiu
com as memórias suas
de ausências minhas,
estas das quais eu era o rei
que lhe tomava o corpo servil.
Se de suas mágoas fiz o meu desejo,
mais ainda alimentei-me do teu prazer,
fui a formiga e você, a rainha,
que coroada da própria tirania
fez do amor para ruína o ensejo,
l'opportunité de ne pas récompenser...
o sorriso da boca lhe fugiu
com as memórias suas
de ausências minhas,
estas das quais eu era o rei
que lhe tomava o corpo servil.
Se de suas mágoas fiz o meu desejo,
mais ainda alimentei-me do teu prazer,
fui a formiga e você, a rainha,
que coroada da própria tirania
fez do amor para ruína o ensejo,
l'opportunité de ne pas récompenser...
domingo, 24 de outubro de 2010
Transição
Fiz de teu sorriso
minha mais pura alegria.
Fiz de tua virtualidade irreal
a presença onipresente
em meu escuro viver.
Nos dias da pulsante solidão,
escondido fora dos mapas,
fora do ar e do radar,
teu perfume ideal me consome,
dá-me o norte e o sentido.
Meu querer se tornou absorto
em tuas linhas perfeitas,
absoluto em tua posse.
inexistente em tua ausência...
minha mais pura alegria.
Fiz de tua virtualidade irreal
a presença onipresente
em meu escuro viver.
Nos dias da pulsante solidão,
escondido fora dos mapas,
fora do ar e do radar,
teu perfume ideal me consome,
dá-me o norte e o sentido.
Meu querer se tornou absorto
em tuas linhas perfeitas,
absoluto em tua posse.
inexistente em tua ausência...
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