Construí alguns sonhos inexatos
em espaços vazios do meu futuro:
eram feitos de carvão e caprichos.
Um belo desfile de alegorias
e clichês dos mais variados,
mas eles se atrasaram, de repente,
e, de repente, não soube o que fazer:
tinham data e horário marcados,
tinham imprecisões cansadas
e apressadas a trabalhar incessantemente,
tinham dores nas lombares
e naqueles malditos ciáticos e lutavam,
lutavam desastrosamente contra
os ventos do destino, tão opressor,
que os transformou neste escroto
discurso extravagante - violento
contra as métricas e o ritmo -,
oco, empolado, engasgado numa gargante
esgotada, revoltada, puta e cansada
de tanta estética de mentira
se impondo a quaisquer sonhos que ousamos sonhar para transformá-los nesta espera servil pelo próximo
pesadelo.
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domingo, 25 de agosto de 2013
domingo, 24 de março de 2013
Silêncio
Ei, você, filho do tumulto,
já ouviu falar do silêncio?
Para você não é aquele
absoluto e enlouquecedor,
não é o silêncio de ser
e estar imerso no vácuo.
Para você é a ausência
daquelas vozes que tanto
lhe perturbavam quando
reclamava de tudo
e vivia num Paraíso
feito de tijolos podres,
carinho e discussão.
já ouviu falar do silêncio?
Para você não é aquele
absoluto e enlouquecedor,
não é o silêncio de ser
e estar imerso no vácuo.
Para você é a ausência
daquelas vozes que tanto
lhe perturbavam quando
reclamava de tudo
e vivia num Paraíso
feito de tijolos podres,
carinho e discussão.
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Quando a cortina caiu e gravei sua voz em minha cabeça, perguntei:
Você se lembra de meu nome?
Meus lábios o desenharam
enquanto desejavam os seus:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos serenos,
sereno suave que cai,
cada fresca gota cai
lúcida como quando lhe ouvi
em nosso único momento:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos de sol,
cantando a paixão pelo pai
e o vil amor ao que faz -
amor que devia de ser meu,
sempre meu, a lhe escutar
sempre, sempre seu, quieto:
tagarelando, tagarelando,
despontando os dentes
e os olhos muito negros
em raios de contentamento.
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Pose
Sou o horizonte desolador do destino,
repleto pelo vácuo dos corações
secos que carregamos através
deste caminho perene e solitário.
Sentimentos rançosos cruzam mindinhos
com suas crias desformes e malignas,
Nosso sicofantismo celebra a dor
de nossa existência insípida e egocêntrica.
Nossa semeadura se torna profana,
enquanto colhemos reflexos criados
por nosso inédito holocausto moral
através de reflexões enegrecidas
mergulhadas nas cores ausentes do
amanhecer e deste ermo entardecer.
Estamos condenados a subsistirr,
sem jamais experimentar o viver.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Luz de gesso
São quinhentos e dois passos
meticulosamente contados.
Passos dados num presente obscurecido
pelo sangue que pulsa no coração,
já tão abatido, da cidade.
A extinta pulsação indica,
talvez, a vitória do populacho
sobre o popular e a destruição
de uma identidade escrita em carmesim.
A negação do autoritarismo sucumbiu
frente às forças revolucionárias.
Restou-nos ser colonizados
e conviver diariamente
com o paradoxo da ocupação.
Em quinhentos e dois passos,
vejo sempre silhuetas emocionantes,
obras grandiosas e a beleza mal cuidada,
que faz contraste a marginais,
favelas e desapego,
sabendo que me resta ver,
no final deste caminho,
ao som de um piano maltratado,
uma gloriosa luz de gesso.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Alegoria
Me apaixonei por palavras
que contavam de luzes e olhares,
não havia então remédio
que me livrasse destes pesares.
Tão livre, ah, tão livre...
Tao livre quanto jamais desejara ser,
dançava entre correntes
presas à beira do muro,
à beira do mundo...
milhares de anos margearam
a paixão e suas palavras
que como esquecidas em retratos
de cenas imemoráveis,
guardaram seu sorriso,
ah, seu sorriso fraseado,
dentro de mim,
em meus textos palavreados...
que contavam de luzes e olhares,
não havia então remédio
que me livrasse destes pesares.
Tão livre, ah, tão livre...
Tao livre quanto jamais desejara ser,
dançava entre correntes
presas à beira do muro,
à beira do mundo...
milhares de anos margearam
a paixão e suas palavras
que como esquecidas em retratos
de cenas imemoráveis,
guardaram seu sorriso,
ah, seu sorriso fraseado,
dentro de mim,
em meus textos palavreados...
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Ânsias
Os dias são livres,
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
domingo, 21 de novembro de 2010
Tão, tão distante...
Quando o amanhecer preludia o dia ainda por vir,
os olhos insones contemplam este inferno:
o meu acordar sem sentir teu corpo bulir,
a tua respiração quente e o teu toque terno.
Se fosses tu desnecessária ao meu viver,
se fosses tu somente a feliz ilusão,
poderia desfazer-me de meu bem-querer
e ansiar por minha auto-destruição.
Forjado no sangue carmesim pelo fogo,
o duelo da paixão e da dor forma um jogo
cujo vil dever é fazer sacrificar
Cada parte desta nossa ingênua saudade,
que, sabemos, é maior que a realidade,
como este amor que nos permite respirar.
os olhos insones contemplam este inferno:
o meu acordar sem sentir teu corpo bulir,
a tua respiração quente e o teu toque terno.
Se fosses tu desnecessária ao meu viver,
se fosses tu somente a feliz ilusão,
poderia desfazer-me de meu bem-querer
e ansiar por minha auto-destruição.
Forjado no sangue carmesim pelo fogo,
o duelo da paixão e da dor forma um jogo
cujo vil dever é fazer sacrificar
Cada parte desta nossa ingênua saudade,
que, sabemos, é maior que a realidade,
como este amor que nos permite respirar.
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