Construí alguns sonhos inexatos
em espaços vazios do meu futuro:
eram feitos de carvão e caprichos.
Um belo desfile de alegorias
e clichês dos mais variados,
mas eles se atrasaram, de repente,
e, de repente, não soube o que fazer:
tinham data e horário marcados,
tinham imprecisões cansadas
e apressadas a trabalhar incessantemente,
tinham dores nas lombares
e naqueles malditos ciáticos e lutavam,
lutavam desastrosamente contra
os ventos do destino, tão opressor,
que os transformou neste escroto
discurso extravagante - violento
contra as métricas e o ritmo -,
oco, empolado, engasgado numa gargante
esgotada, revoltada, puta e cansada
de tanta estética de mentira
se impondo a quaisquer sonhos que ousamos sonhar para transformá-los nesta espera servil pelo próximo
pesadelo.
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domingo, 25 de agosto de 2013
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Fado
Desespero iminente da indagação:
por que toda voz que canta aqui
congela todo e qualquer verão?
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Toda a felicidade
Um ponto de luz brilhou no céu,
atraiu sua atenção e lhe roubou a alma.
Cansaço e perplexidade
ferem-lhe o corpo,
a voz adormecida desintegrou-se
em pedaços do sonho assistido
por maquinarias e informações,
seu desejo é o consumo
de tudo que não me faz sentido...
O ponto de luz brilhou no céu,
acima de nossas cabeças,
mas não foi uma idéia brilhante.
O ponto de luz foi a felicidade,
e nossa felicidade
é a programação neurolinguística.
atraiu sua atenção e lhe roubou a alma.
Cansaço e perplexidade
ferem-lhe o corpo,
a voz adormecida desintegrou-se
em pedaços do sonho assistido
por maquinarias e informações,
seu desejo é o consumo
de tudo que não me faz sentido...
O ponto de luz brilhou no céu,
acima de nossas cabeças,
mas não foi uma idéia brilhante.
O ponto de luz foi a felicidade,
e nossa felicidade
é a programação neurolinguística.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Isn't it something
Isn't it great how dreams were born?
Tomorrow bear the wonders,
today bears the fear of it.
Isn't it something...
Isn't it marvelous to seek,
desperately and in sickness,
for that other fashion -
that other way which you know -
you cannot pass it by.
Tomorrow bear the wonders,
today bears the fear of it.
Isn't it something...
Isn't it marvelous to seek,
desperately and in sickness,
for that other fashion -
that other way which you know -
you cannot pass it by.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Presidenciável
Que dancemos ao som
do caos sistemático
que nos é imposto.
Que choremos a ignorância
e a liberdade que reside
apenas em versos.
E, então, votemos.
do caos sistemático
que nos é imposto.
Que choremos a ignorância
e a liberdade que reside
apenas em versos.
E, então, votemos.
domingo, 22 de agosto de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
Interpreta-me
Anti-comercial e politicamente incorreto (através de metáforas, é claro)
Interpreta-me
Sou um verso livre, natural e deformado.
Sou um protótipo de cachoeira
Culminado num esgoto de ofensas,
Podre e fétido como estes que interpretam
Minha humilde presença
De todos estes aqui expostos,
Choro pelos renegados que fugiram
Para a batalha pela aceitação do mundo,
Antes que percebessem que o lugar é imundo
De tantas dores, tantos fracassos
Tantos amores, tantos fiascos...
Sou o riacho deformado do São Francisco,
Presumo que sejas tu o imponente Nilo
Mas tu não me subjugas, bastardo.
Teu parto foi longo e doloroso,
Teu sono em putrefação é amargo,
Teus olhos só brilham quando pelo sol cegados.
Ora, interpreta-me aqui, pois nasci
Do nada, e a ele retorno quando quero.
Cresci sozinho, em uma pequena explosão,
E meus olhos se escondem do sol
Para guiar-te na escuridão.
Interpreta-me
Sou um verso livre, natural e deformado.
Sou um protótipo de cachoeira
Culminado num esgoto de ofensas,
Podre e fétido como estes que interpretam
Minha humilde presença
De todos estes aqui expostos,
Choro pelos renegados que fugiram
Para a batalha pela aceitação do mundo,
Antes que percebessem que o lugar é imundo
De tantas dores, tantos fracassos
Tantos amores, tantos fiascos...
Sou o riacho deformado do São Francisco,
Presumo que sejas tu o imponente Nilo
Mas tu não me subjugas, bastardo.
Teu parto foi longo e doloroso,
Teu sono em putrefação é amargo,
Teus olhos só brilham quando pelo sol cegados.
Ora, interpreta-me aqui, pois nasci
Do nada, e a ele retorno quando quero.
Cresci sozinho, em uma pequena explosão,
E meus olhos se escondem do sol
Para guiar-te na escuridão.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Memórias
A memória incide
impertinente e incoerente.
Os desejos concedidos com o tempo
se tornam meras memórias
a serem apagadas,
se tornam o mais célebre pesadelo,
a mais oblíqua das madrugadas.
E nada parece proporcionar
o alívio referente ao oblívio,
nem mesmo sei mais
se lembro tudo que lembro
ou se lembro das confirmações alheias
sobre minhas lembranças.
Ninguém parece conceder
a uma memória
despropositadamente detalhista
a benção de se perder...
O turbilhão de imagens e sons
corroe meu pensamento,
o tornam ineficaz,
me esvaziam aos poucos.
Sinto o sangue esvair
por cada poro de meu corpo,
ele se mistura com o ar,
num fétido vapor carmesim
de momentos passados
e inconclusivos.
Afinal, são eles
momentos passados mesmo,
ou confirmações alheias
sobre minhas vivências?
impertinente e incoerente.
Os desejos concedidos com o tempo
se tornam meras memórias
a serem apagadas,
se tornam o mais célebre pesadelo,
a mais oblíqua das madrugadas.
E nada parece proporcionar
o alívio referente ao oblívio,
nem mesmo sei mais
se lembro tudo que lembro
ou se lembro das confirmações alheias
sobre minhas lembranças.
Ninguém parece conceder
a uma memória
despropositadamente detalhista
a benção de se perder...
O turbilhão de imagens e sons
corroe meu pensamento,
o tornam ineficaz,
me esvaziam aos poucos.
Sinto o sangue esvair
por cada poro de meu corpo,
ele se mistura com o ar,
num fétido vapor carmesim
de momentos passados
e inconclusivos.
Afinal, são eles
momentos passados mesmo,
ou confirmações alheias
sobre minhas vivências?
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