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sábado, 12 de janeiro de 2013

Nuage


E o bêbado anunciava,
tocando através de nuvens
eras que nunca viu:
"Vendo meu destino!
A qualquer uma que compre:
qualquer par de seios
no qual possa repousar!
Quaisquer pernas firmes
para ser prenha saudável!
Vendo minha vida, barata!
A qualquer uma que permita
meu copo em minhas mãos
e meu sorriso no meu rosto!
Vendo meu destino!
A qualquer resposta,
monossilábica que seja,
a meu aceno pretensioso.
Vendo meu destino...!"
Passos cruzados, ruas
ladrilhadas sem esmero,
saiu da geração perdida
para a geração do silêncio.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Telefonema


Quero desesperadamente justificar
minha moral em declínio.
Minhas viciosas corrupções morais
são reflexos da imperfeição
de minha complexa natureza, ser
humano, ser assim, permite-me
ser de todo jeito que sei
não ser o que deveria.
E teu número é?

domingo, 8 de abril de 2012

Resenha


Hoje vou resenhar meus ídolos numa canção:
já que posso tocar meus sonhos com as mãos,

vou fazer chover a tinta que tinge nosso céu.
E daí que a alma congelou? Tiro o chapéu

para tanta liberdade embutida nas palavras
ditas sobre tanta inspiração desmanchada.

Tantas restrições em um coração que não bate mais,
tanto medo, receio que me tira a paz:

Decidi que tudo isso também não me importa,
vou resenhar o coração de gente morta.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Abrigo

Da chuva, da neve, do sol, do medo,
dos estranhos, dos familiares, da família,
do bom, do ruim, do bem e do mal,
de tudo que pode ser real.

Sob meu abrigo, dizes calmamente
que o tempo podemos parar,
enquanto sonhamos com os males
dos quais te protejo.

Ah, se soubesses tu,
que de dentro de teu abrigo
queima a única existência
que o pode incendiar...

quarta-feira, 9 de março de 2011

Inside my very mind

Veja, com "belo" e "anil" fazemos o céu gracioso. Sílaba por sílaba, letra por letra, desconstruímos sua vida e a mergulhamos nos seus sonhos ainda não sonhados, nas ilusões que se formam enquanto os olhos percorrem espaços de preto e de branco, ou amarelo, ou bege... Somos binários, como você. Existimos ou não, e tudo depende de sua disposição de explorar. Por entre as cavidades de seus olhos, sedimentamos bloco por bloco das imagens mais inesquecíveis que poderia conhecer: já andou em hipopótamo e já visitou o inferno, já foi à inquisição e às guerras mundiais. É, portanto, quando deseja, detentor do mundo, desde que pague o devido preço a mim, interrogação, e minha parceira - a exclamação. Somos nobres, damos muito e pouco cobramos. Diria que apenas seu tempo, e uma utilização hoje excêntrica dele. Somos conteúdo e novidade, informação e inovação, conversa e romantismo - ou realismo, parnasianismo, modernismo, ismo, ismo, ismo... Palavras mortas que dão origem a palavras novas, palavras que contagiam todos nossos sentidos e nos fazem covardes, corajosos, humildes e prepotentes em menos de um dia. Conosco, você é tudo.
Você, ignorante deve ser se de nós quiser desfrutar. Você é o leitor.
Damo-lhe dicas: uma interrogação não nasce em si própria, e sua exclamação não vem da mente alheia.
Uma interrogação é quase sempre desconhecida e uma exclamação, inexplorada.
A interrogação percorre o mundo, de prateleira em prateleira, para chegar à todas as exclamações que conseguir.
Somos essência.

Apresentamo-nos pois seria demasiada falta de educação não o fazer. Sou autor e esta é minha parceira: sua imaginação.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Ânsias

Os dias são livres,
mas não mais vemos,
nos subúrbios de nossas memórias,
os fragmentos de nossas vidas.
O caminho para casa desintegrou-se,
junto com seu sorriso,
com os relatos de onde estava eu
quando da visita ao purgatório.
Ansiei por seu retorno.
Ainda anseio...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Isn't it something

Isn't it great how dreams were born?
Tomorrow bear the wonders,
today bears the fear of it.
Isn't it something...
Isn't it marvelous to seek,
desperately and in sickness,
for  that other fashion -
that other way which you know -
you cannot pass it by.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Por nada

Não era de meu conhecimento
que fins distintos ajudariam
na formação de novos,
que primeiras, segundas,
terceiras e milésimas tentativas
eram sempre diferentes,
que fracassos e mortes
tornariam plausíveis vidas inúmeras.
Não sabia que o bem que não fiz
voltaria para me assombrar,
rechaçando qualquer tépida chance
de um momento feliz...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Do finito infinito

A ideia de dois olhares dispersados
Em diversas cenas de iguais horizontes
Concebe o absoluto e sincero silêncio
Que nega a obrigação  deste sentimento.

Aqui, qualquer formalidade é dispensável
também quaisquer sortes de solidão e angústia.
Seu sono e minha pressa são o meu tesouro,
meios de impor-lhe ao rosto o sorriso eterno.

Mas de que se vale o instante frente o eterno?
Veja o tempo crepuscular morto,
momento perdido para a escuridão.

Pois que o imortal chore a pureza do infindo!
Morro com o crepúsculo, pois contigo
o instante é contínuo e se chama paixão.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A última vez que ouvi "eu te amo"

Nós acreditávamos
que o futuro seria melhor,
a esperança
seria a última a morrer
e nós desejávamos
para mais que um.
A união não se resumia a dois,
as mãos se apertavam
em correntes inquebráveis,
a dor dava lugar a idéias.
Sentia você ao longe,
não admitia mentiras
e dedicávamos nossas almas.
Amávamos Sophia e seus amantes
em nossas inesquecíveis orgias,
agora ofuscadas
pelo oblívio e pelo tempo.
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Leiam a letra da música que está tocando, vale a pena. É uma das mais bonitas que já vi. =)
http://letras.terra.com.br/bad-religion/2989/traducao.html

terça-feira, 8 de junho de 2010

Um

A normalidade se refere ao um,
não a padrões bizarros
que estereotipam estereótipos.
As sensações, a angustia,
a ausência da percepção
de qualidades diversas
corroem a razão de ser do ser:
a impotência do um
frente a pelotões marginalizados
é ignorante e corrosiva.
Um é sempre importante,
e ainda assim, nunca importa.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sob a perspectiva de um pesadelo

"If I die tomorrow I'd be alright..."
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Sob a perspectiva de um pesadelo


A fé sozinha não mais pode sustentar
minha utopia desta humanidade humana!
Minhas crenças de que o bom pode triunfar
são engolidas pela tua mensagem profana,

E minhas referências são alheias a todos
estes que são tão certos quanto ignorantes,
arraigados às falsas morais do lodo
que gritam e o chamam de lar, agonizantes.

Mas de que vale tão penosa reflexão
posto que eles não a ouvem, nem jamais ouvirão?
Observo as folhas lutarem contra o vento

enquanto os olhos sangram com medo da dor
de ver somente estes tempos sóbrios de horror:
Momentos que não valem tamanho tento.
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"...because I believe that after we're gone, the spirit carries on" - Dream Theater