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domingo, 21 de abril de 2013

Polirritmia

Lavei minhas mãos, com cuidado,
e me deixei assistir as luzes,
vítimas deste sono holístico
que assombra o horizonte.
A última restou mais que deveria,
a última é a que foi esquecida.
De minha colina mais alta,
vejo o perfil dos prédios
tingir-se com luzes liquefeitas
de cores variadas, verdadeiras,
ilusórias e esperançosas,
também tristes pela mesmice.
Nesse padrão, feito de divindades
e betão, tudo era igual, sempre.
Até que um dia me disseram
que tudo era tão rápido,
que era eu o atônito,
que o mundo mudara
e já não restava paciência
nos dedos vorazes
a bolinar o interruptor.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Menino


Quando minha hora e vez chegaram
servi de consolo para mensagens
sem destino,sem respostas do menino
que as escreveu para se acalmar:
palavras desmoronaram sobre medos
e vilões que lhe chibatavam o peito.

Decerto veria o menino em seu destino
suas palavras se tornarem estéreis
sob o julgo deste meu tino perdido.
E de seu rebento a ausência,
deu ao mundo sua ilustre presença
falada em cigarros, cantada em cerveja,
velada em palavras feitas de nada.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Cangaço


Está frio. Congelo sob o Sol
de trinta e cinco graus.
Meu sorriso racha no ar seco,
sinto falta de sorrisos sadios
desperdiçados sem razão
e destes sonhos de criança
que nunca compartilharei.
Ainda estou aqui, depois destes
segundos que são como eras,
cantando músicas fúnebres
sob a chuva que nunca cai.
Ainda estou no meio deste mar,
mar de areia, concreto e isolação,
rezando para que o vento...
Para a remota chance de
que ele te carregue até
um pouco mais perto.
Rezando para que ele traga
minha alma de volta ao corpo.

domingo, 22 de julho de 2012

Vergonha


Desconstruo o mundo com sorrisos
que há muito não são meus
e epitomizo seios e corações
em gestos de extinta satisfação.
Interpreto miados e latidos
discutindo com som de chuva,
converso com almas e paredes
cada momento acordado
para chegar enfim ao alívio
divino do adormecer.

Tão divino, quando durmo
padeço da observação inquieta
dos traços menos desejados
do meu mundo em implosão,
mas tudo é perdoado, pois
quando durmo sou abençoado
com o esquecimento
de meus sonhos e do mundo,
sou desconstruído entre a cegueira
e minha ambivalência virtual,
vomitada em linhas sem sentido.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Presidenciável

Que dancemos ao som
do caos sistemático
que nos é imposto.
Que choremos a ignorância
e a liberdade que reside
apenas em versos.
E, então, votemos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Escolhas cegas

O carrossel corre inquieto,
suas belas engrenagens
contam com a eterna chuva do tempo,
para prosseguirem com este movimento
confuso, atordoado...

Sobre os cavalos coloridos,
branco, vermelho, preto e baio,
sentei-me a espera da revelação,
aguardando a iminente chegada.

Chegada esta incógnita,
anjos ou demônios, qualquer um,
cairiam sobre mim.
A fúria ou a paz, ou seria, talvez,
a paz ou a fúria?

A luta atormenta a placidez
de uma mente cujo descanso é negado,
por seres celestiais ou infernais,
de olhos azuis ou muito verdes,
dedicando o tempo eterno do carrossel
para tamanha jornada.

E se o anjo tivesse na sua ternura
horário marcado, terreno delineado,
não seria melhor repousar na dedicação
incansável da tortura ininterrupta,
das colisões infernais de pensamentos,
sentimentos e fugas esquecidas,
esquecidas no tempo
em que o carrossel era um brinquedo
e o tempo, um relógio?

domingo, 20 de junho de 2010

Palavras e pausas

Algumas palavras, simples e coesas,
simplesmente não deveriam ser ouvidas.
O silêncio, algumas vezes, é tudo
o que é capaz de ligar dois entes...

Quando o silêncio se perde,
e as palavras proferidas não deveriam ser ouvidas,
nada mais resta:
os milagres punem e os pecados salvam.

De nossa salvação, restou o pecado,
de nossa dor, o milagre,
de nós, o passado.


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Odeio meus versos livres.

sábado, 19 de junho de 2010

Segredos

Sou criança idealista, apaixonada. Encantada com as simplicidades mais simples do cotidiano mais diário. Mas a todos vocês, jamais me surpreendo, jamais me curvo, jamais sorrio. Sou homem bufão, romântico. Faria de tudo pelo sorriso de minha lagarta listada. Sou jovem rebelde, incompreendido e incompreensível. Não consigo conceber a idéia de ser tão diferente e tão igual ao mesmo tempo. Sou moleque idealista, assustado. Com medo de encarar o mundo, perplexo, e desabar frente às vicissitudes ainda não enfrentadas.