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sábado, 12 de janeiro de 2013

Nuage


E o bêbado anunciava,
tocando através de nuvens
eras que nunca viu:
"Vendo meu destino!
A qualquer uma que compre:
qualquer par de seios
no qual possa repousar!
Quaisquer pernas firmes
para ser prenha saudável!
Vendo minha vida, barata!
A qualquer uma que permita
meu copo em minhas mãos
e meu sorriso no meu rosto!
Vendo meu destino!
A qualquer resposta,
monossilábica que seja,
a meu aceno pretensioso.
Vendo meu destino...!"
Passos cruzados, ruas
ladrilhadas sem esmero,
saiu da geração perdida
para a geração do silêncio.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Quando a cortina caiu e gravei sua voz em minha cabeça, perguntei:


Você se lembra de meu nome?
Meus lábios o desenharam
enquanto desejavam os seus:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos serenos,
sereno suave que cai,
cada fresca gota cai
lúcida como quando lhe ouvi
em nosso único momento:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos de sol,
cantando a paixão pelo pai
e o vil amor ao que faz -
amor que devia de ser meu,
sempre meu, a lhe escutar
sempre, sempre seu, quieto:
tagarelando, tagarelando,
despontando os dentes
e os olhos muito negros
em raios de contentamento.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Enquanto você dançava...


Às vezes, quando o escuro vem
e o dia chora seu entardecer,
fico eu aqui procurando quem
passa entre passos baqueados
por entre todos, por ninguém
em busca de uma nota limpa ou,
do vício do qual sou refém,
de cantos mais que imaginários,
recantos muito mais além
de vossos sonhos refratários,
das paixões que já não tem.
E toda noite eu sigo assim,
enquanto o som não me quer bem,
e tu danças longe de mim...

sábado, 10 de julho de 2010

Primeiras Impressões

A noite era cálida, solene. Muitos passavam à minha frente, aos meus lados e acredito que até atrás de mim, embora fosse difícil provar, mas nada fora do comum, nada extraordinário que pudesse lembrar remotamente meus arquétipos de felicidade. Sentei-me ao bar, com uma bebida na mão, e observei atento o vai e vem de pessoas através das portas. Meus olhos pesavam entediados quando novamente a porta se abriu, e naquele breve instante, pude ouvir cada murmúrio das gotas d’água que atingiam o chão, cada uma delas trazendo a sublime mensagem sobre a torrente avassaladora que me consumiria. O mundo encolheu, tornou-se mais simples, menos clássico ou erudito. Meu mundo adentrou a terra do sonhar, do ideal, do perfeito, do mais singelo equilíbrio. Seu corpo esguio, seus longos cabelos dourados, suas faces angelicais... Meu mundo colidiu com o de um serafim de asas partidas, que delicadamente chamava minha atenção. Mas quantas linhas mais poderiam durar aqueles milésimos de segundos referentes á minha jornada até o paraíso?
Meu anjo de asas espatifadas olhou-me direto nos olhos, e como se atravessasse minha alma, conheceu-me desde menino, e fez de mim um moleque. Apenas um mísero, ou talvez humilde, moleque cujas faces tingiram-se com a cor do sangue.
Por Deus, persigo aqueles olhos castanhos desde então, procurando a coragem para ser simplesmente verdadeiro.
“Com licença, não quero te assustar, mas... É que... Pela primeira vez eu tenho certeza disso...” O comum face ao absoluto é tímido.
“Simplesmente te amo.” – e me satisfaço neste mero ato de te amar.

domingo, 30 de maio de 2010

Por não ter o que dizer

Se aqui lhe escrevo versos
brancos como sua pele,
assim o faço apenas
por dois simples motivos:
porque a letra me poupa
da imprudência da fala
e por que meu fracasso
em furtar-lhe deve ser,
no mínimo, ritmado.
Mas não façamos disso
um motivo de alarde.
Por mais que eu assim deseje,
seu peito não saberá
a ínfima parte que for
sobre a rima escapada
ou este texto de meu amor.
Por não ter o que dizer,
esta simplicidade
se resume em minha fé
em você não ser triste,
sem propósito ou ambição,
como estas que aqui a cercam.
Procure em si este valor
que tanto me fascina,
que lhe fez minha musa,
que faz do colorido
de sua bela presença
luz no fúnebre escuro
desta minha cegueira.

domingo, 11 de abril de 2010

Perseguição celeste


Para encerrar o momento platônico:

Perseguição celesteNegrito

Se tais versos não fossem
caprichos de minha dor,
eles seriam sublimes
para todos que não vêem,
imaginam ou sentem
tal peso excruciante.
Será que minhas formas
são fétidas ou grotescas
a teus pequenos iguais,
impassíveis de meu amor?
Talvez seja você alta,
maravilhosa demais
para que se contente
em exaurir minha luz.
Foges desesperada
de meus gentis abraços...

Ou serei assim mais feliz,
por viver em sua busca,
sem jamais descobrir
que minha querida Lua
não passa de uma pedra
branca jogada nos céus?

sábado, 10 de abril de 2010

Mais

Platonismo...

Mais

De frente para as plantas
ela pousa, serena,
cálida e intrigante,
emana estranha aura
cuja luz e o perfume
absorvem-me num ato
estranho de inerente
dor, repleta do amor
mais incoerente que
sou capaz de conceber.
A dor forma-se pela
ausência de seu toque,
tão sublime quanto meu
prelúdio celestial,
obra na qual é você
a solista mais cara,
mais doce, mais perfeita,
mais minha do que jamais
seria sem estes sonhos...
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