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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Prelúdio do esquecimento

Poderia dos bens esquecer-me,
crucificar-me - frio -
sobre o asfalto derretido,
mas sinto dizer que é muito tarde.

Milênios se passaram, nos míseros,
ínfimos instantes, da consolidação
até a desconstrução dos sonhos de areia
que padecem do vento e do frio.

Mas a noite escura há de chegar,
e rezo, imploro, que chegue a todos,
e mais de um entenderá, que a morte,
tão bela e alegre, há de se eternizar.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Memórias

A memória incide
impertinente e incoerente.
Os desejos concedidos com o tempo
se tornam meras memórias 
a serem apagadas,
se tornam o mais célebre pesadelo,
a mais oblíqua das madrugadas.


E nada parece proporcionar
o alívio referente ao oblívio,
nem mesmo sei mais 
se lembro tudo que lembro
ou se lembro das confirmações alheias
sobre minhas lembranças.


Ninguém parece conceder
a uma memória
despropositadamente detalhista
a benção de se perder...


O turbilhão de imagens e sons
corroe meu pensamento,
o tornam ineficaz,
me esvaziam aos poucos.


Sinto o sangue esvair 
por cada poro de meu corpo,
ele se mistura com o ar,
num fétido vapor carmesim
de momentos passados
e inconclusivos.


Afinal, são eles
momentos passados mesmo,
ou confirmações alheias 
sobre minhas vivências?