Ei, você, filho do tumulto,
já ouviu falar do silêncio?
Para você não é aquele
absoluto e enlouquecedor,
não é o silêncio de ser
e estar imerso no vácuo.
Para você é a ausência
daquelas vozes que tanto
lhe perturbavam quando
reclamava de tudo
e vivia num Paraíso
feito de tijolos podres,
carinho e discussão.
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domingo, 24 de março de 2013
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Prelúdio do esquecimento
Poderia dos bens esquecer-me,
crucificar-me - frio -
sobre o asfalto derretido,
mas sinto dizer que é muito tarde.
Milênios se passaram, nos míseros,
ínfimos instantes, da consolidação
até a desconstrução dos sonhos de areia
que padecem do vento e do frio.
Mas a noite escura há de chegar,
e rezo, imploro, que chegue a todos,
e mais de um entenderá, que a morte,
tão bela e alegre, há de se eternizar.
crucificar-me - frio -
sobre o asfalto derretido,
mas sinto dizer que é muito tarde.
Milênios se passaram, nos míseros,
ínfimos instantes, da consolidação
até a desconstrução dos sonhos de areia
que padecem do vento e do frio.
Mas a noite escura há de chegar,
e rezo, imploro, que chegue a todos,
e mais de um entenderá, que a morte,
tão bela e alegre, há de se eternizar.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Rétribuer
Porto inseguro que me tornei,
o sorriso da boca lhe fugiu
com as memórias suas
de ausências minhas,
estas das quais eu era o rei
que lhe tomava o corpo servil.
Se de suas mágoas fiz o meu desejo,
mais ainda alimentei-me do teu prazer,
fui a formiga e você, a rainha,
que coroada da própria tirania
fez do amor para ruína o ensejo,
l'opportunité de ne pas récompenser...
o sorriso da boca lhe fugiu
com as memórias suas
de ausências minhas,
estas das quais eu era o rei
que lhe tomava o corpo servil.
Se de suas mágoas fiz o meu desejo,
mais ainda alimentei-me do teu prazer,
fui a formiga e você, a rainha,
que coroada da própria tirania
fez do amor para ruína o ensejo,
l'opportunité de ne pas récompenser...
domingo, 20 de junho de 2010
Palavras e pausas
Algumas palavras, simples e coesas,
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Odeio meus versos livres.
simplesmente não deveriam ser ouvidas.
O silêncio, algumas vezes, é tudo
o que é capaz de ligar dois entes...
Quando o silêncio se perde,
e as palavras proferidas não deveriam ser ouvidas,
nada mais resta:
os milagres punem e os pecados salvam.
De nossa salvação, restou o pecado,
de nossa dor, o milagre,
de nós, o passado.
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Odeio meus versos livres.
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