Construí alguns sonhos inexatos
em espaços vazios do meu futuro:
eram feitos de carvão e caprichos.
Um belo desfile de alegorias
e clichês dos mais variados,
mas eles se atrasaram, de repente,
e, de repente, não soube o que fazer:
tinham data e horário marcados,
tinham imprecisões cansadas
e apressadas a trabalhar incessantemente,
tinham dores nas lombares
e naqueles malditos ciáticos e lutavam,
lutavam desastrosamente contra
os ventos do destino, tão opressor,
que os transformou neste escroto
discurso extravagante - violento
contra as métricas e o ritmo -,
oco, empolado, engasgado numa gargante
esgotada, revoltada, puta e cansada
de tanta estética de mentira
se impondo a quaisquer sonhos que ousamos sonhar para transformá-los nesta espera servil pelo próximo
pesadelo.
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domingo, 25 de agosto de 2013
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Se lembrares que existi
Se notares entre as linhas furtivas
de meu olhar que ele é fixo no teu corpo,
imploro que o deixe permanecer.
Se notares meu suspiro cansado
que mancha o ar tão puro que inspira, imploro-te,
de vez por todas, que o deixe quieto,
permita-o perecer sob a tensão
que criei entre nós e que pedacinhos
do ar que respiro cheguem até ti.
Se notares olheiras, não pergunte
jamais se deixei de dormir por ti.
Se notares as razões, alegrias
e os vícios, peço que leve-os contigo
para a cova confortável de teu
adormecer, e divida-os comigo
lá, quando chegar lá, onde tu, morta,
me encontrarás vivo sonhando com
a bela vida que nunca tivemos.
sábado, 23 de junho de 2012
Global
Entre trópicos e polos moribundos
escrevemos a saga épica do vazio
abissal que se fez entre cada um.
Neste palco perpétuo, enfeites distintos
dados por transeuntes e almas penadas,
que em seus papéis vendidos ao acaso
temem como a morte a própria existência,
penduram-se nos céus de carbono,
corroem corações e sorrisos de gelo
e desregulam o sistema de superlativos,
o mais infame de todos protagonistas.
Pois tudo que hoje é, é demais.
É grande demais, a proximidade
é grande demais, a distância
é grande demais, e tanta grandeza
é grande demais para não ser celebrada.
E celebramos, como celebramos,
enquanto os laços enfraquecem,
a apatia se torna a delineadora
capital das pessoas, celebramos
nosso mundo, nosso sistema, nosso dinheiro,
que é sempre próprio, de um. Meu.
Teu. E quanto mais comparilhamento,
menos dividimos. Quanto mais conexões,
menos pensamos. E quanto mais, menos.
Todos temos em comum duas coisas:
mais paliativos festejantes
e menos grandeza em cada alma.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Luz de gesso
São quinhentos e dois passos
meticulosamente contados.
Passos dados num presente obscurecido
pelo sangue que pulsa no coração,
já tão abatido, da cidade.
A extinta pulsação indica,
talvez, a vitória do populacho
sobre o popular e a destruição
de uma identidade escrita em carmesim.
A negação do autoritarismo sucumbiu
frente às forças revolucionárias.
Restou-nos ser colonizados
e conviver diariamente
com o paradoxo da ocupação.
Em quinhentos e dois passos,
vejo sempre silhuetas emocionantes,
obras grandiosas e a beleza mal cuidada,
que faz contraste a marginais,
favelas e desapego,
sabendo que me resta ver,
no final deste caminho,
ao som de um piano maltratado,
uma gloriosa luz de gesso.
domingo, 27 de março de 2011
Entre a lâmina e o abismo
Entre a lâmina e o abismo,
entre as glórias e os orates,
sou humano, livre da culpa de pecar.
Falível - falido -,
a consciência fomenta o medo,
o medo tritura a alma,
a alma molesta o corpo.
Dedicadas a beleza perdida
de um mundo atrasado,
minha prisão de vidro,
minha proteção do tempo
e minha ética arcaica
despedaçaram-se em segundos.
Ente desprovido de direção,
sou exemplo incomparável
da teleologia mal construída.
Videiro da vida alheia,
a voz que ecoa em mim
suscita o ocaso...
Temo pelos bosques,
pelos rios e pelas crianças:
se sou esperança,
o que espero dos que não são?
entre as glórias e os orates,
sou humano, livre da culpa de pecar.
Falível - falido -,
a consciência fomenta o medo,
o medo tritura a alma,
a alma molesta o corpo.
Dedicadas a beleza perdida
de um mundo atrasado,
minha prisão de vidro,
minha proteção do tempo
e minha ética arcaica
despedaçaram-se em segundos.
Ente desprovido de direção,
sou exemplo incomparável
da teleologia mal construída.
Videiro da vida alheia,
a voz que ecoa em mim
suscita o ocaso...
Temo pelos bosques,
pelos rios e pelas crianças:
se sou esperança,
o que espero dos que não são?
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Toda a felicidade
Um ponto de luz brilhou no céu,
atraiu sua atenção e lhe roubou a alma.
Cansaço e perplexidade
ferem-lhe o corpo,
a voz adormecida desintegrou-se
em pedaços do sonho assistido
por maquinarias e informações,
seu desejo é o consumo
de tudo que não me faz sentido...
O ponto de luz brilhou no céu,
acima de nossas cabeças,
mas não foi uma idéia brilhante.
O ponto de luz foi a felicidade,
e nossa felicidade
é a programação neurolinguística.
atraiu sua atenção e lhe roubou a alma.
Cansaço e perplexidade
ferem-lhe o corpo,
a voz adormecida desintegrou-se
em pedaços do sonho assistido
por maquinarias e informações,
seu desejo é o consumo
de tudo que não me faz sentido...
O ponto de luz brilhou no céu,
acima de nossas cabeças,
mas não foi uma idéia brilhante.
O ponto de luz foi a felicidade,
e nossa felicidade
é a programação neurolinguística.
sábado, 7 de agosto de 2010
Semanal
Veio, como um anjo,
repleto de graça,
o sorriso de gestos simples
acendeu a alma minha.
Se não fosse breve
e levasse consigo
toda a alegria que irradia,
se não fossem as dúvidas
e o mal explicado.
As visitas nada periódicas,
a esporacidade do toque,
os baús e suas sete chaves,
escondidos sob sete palmos
de angustias e terra pobre,
tomam, aos poucos,
minhas razões, meus motivos,
meus caminhos, meu futuro...
repleto de graça,
o sorriso de gestos simples
acendeu a alma minha.
Se não fosse breve
e levasse consigo
toda a alegria que irradia,
se não fossem as dúvidas
e o mal explicado.
As visitas nada periódicas,
a esporacidade do toque,
os baús e suas sete chaves,
escondidos sob sete palmos
de angustias e terra pobre,
tomam, aos poucos,
minhas razões, meus motivos,
meus caminhos, meu futuro...
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A última vez que ouvi "eu te amo"
Nós acreditávamos
que o futuro seria melhor,
a esperança
seria a última a morrer
e nós desejávamos
para mais que um.
A união não se resumia a dois,
as mãos se apertavam
em correntes inquebráveis,
a dor dava lugar a idéias.
Sentia você ao longe,
não admitia mentiras
e dedicávamos nossas almas.
Amávamos Sophia e seus amantes
em nossas inesquecíveis orgias,
agora ofuscadas
pelo oblívio e pelo tempo.
--------------------------
Leiam a letra da música que está tocando, vale a pena. É uma das mais bonitas que já vi. =)
http://letras.terra.com.br/bad-religion/2989/traducao.html
que o futuro seria melhor,
a esperança
seria a última a morrer
e nós desejávamos
para mais que um.
A união não se resumia a dois,
as mãos se apertavam
em correntes inquebráveis,
a dor dava lugar a idéias.
Sentia você ao longe,
não admitia mentiras
e dedicávamos nossas almas.
Amávamos Sophia e seus amantes
em nossas inesquecíveis orgias,
agora ofuscadas
pelo oblívio e pelo tempo.
--------------------------
Leiam a letra da música que está tocando, vale a pena. É uma das mais bonitas que já vi. =)
http://letras.terra.com.br/bad-religion/2989/traducao.html
domingo, 20 de junho de 2010
Palavras e pausas
Algumas palavras, simples e coesas,
----------------------------------------------------------
Odeio meus versos livres.
simplesmente não deveriam ser ouvidas.
O silêncio, algumas vezes, é tudo
o que é capaz de ligar dois entes...
Quando o silêncio se perde,
e as palavras proferidas não deveriam ser ouvidas,
nada mais resta:
os milagres punem e os pecados salvam.
De nossa salvação, restou o pecado,
de nossa dor, o milagre,
de nós, o passado.
----------------------------------------------------------
Odeio meus versos livres.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Um
A normalidade se refere ao um,
não a padrões bizarros
que estereotipam estereótipos.
As sensações, a angustia,
a ausência da percepção
de qualidades diversas
corroem a razão de ser do ser:
a impotência do um
frente a pelotões marginalizados
é ignorante e corrosiva.
Um é sempre importante,
e ainda assim, nunca importa.
não a padrões bizarros
que estereotipam estereótipos.
As sensações, a angustia,
a ausência da percepção
de qualidades diversas
corroem a razão de ser do ser:
a impotência do um
frente a pelotões marginalizados
é ignorante e corrosiva.
Um é sempre importante,
e ainda assim, nunca importa.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Memórias
A memória incide
impertinente e incoerente.
Os desejos concedidos com o tempo
se tornam meras memórias
a serem apagadas,
se tornam o mais célebre pesadelo,
a mais oblíqua das madrugadas.
E nada parece proporcionar
o alívio referente ao oblívio,
nem mesmo sei mais
se lembro tudo que lembro
ou se lembro das confirmações alheias
sobre minhas lembranças.
Ninguém parece conceder
a uma memória
despropositadamente detalhista
a benção de se perder...
O turbilhão de imagens e sons
corroe meu pensamento,
o tornam ineficaz,
me esvaziam aos poucos.
Sinto o sangue esvair
por cada poro de meu corpo,
ele se mistura com o ar,
num fétido vapor carmesim
de momentos passados
e inconclusivos.
Afinal, são eles
momentos passados mesmo,
ou confirmações alheias
sobre minhas vivências?
impertinente e incoerente.
Os desejos concedidos com o tempo
se tornam meras memórias
a serem apagadas,
se tornam o mais célebre pesadelo,
a mais oblíqua das madrugadas.
E nada parece proporcionar
o alívio referente ao oblívio,
nem mesmo sei mais
se lembro tudo que lembro
ou se lembro das confirmações alheias
sobre minhas lembranças.
Ninguém parece conceder
a uma memória
despropositadamente detalhista
a benção de se perder...
O turbilhão de imagens e sons
corroe meu pensamento,
o tornam ineficaz,
me esvaziam aos poucos.
Sinto o sangue esvair
por cada poro de meu corpo,
ele se mistura com o ar,
num fétido vapor carmesim
de momentos passados
e inconclusivos.
Afinal, são eles
momentos passados mesmo,
ou confirmações alheias
sobre minhas vivências?
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