terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Saudades

Foi hoje que percebi:
em São Paulo, não há
dia nublado sem garoa,
marginal sem acidente,
sorriso sem depressão,
esta sem exposição,
sol frio sem nuvens,
árvores sem vida,
asfalto sem buracos,
um sem o outro.
Dia sem fúria,
noite sem medo,
eu sem saudades.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Untitled


Sometimes, child...
Falling in love seems
as far as the stars,
as possible as if...
If they'd crumble
on their heavenly paths
and fall upon our heads,
as real as eternal.
Sometimes, little one,
you'll let yourself
die in strange arms
for your heart's ran
out of blood and
all you seem to need
is someone to cringe
at the sight of your
fake and bored smile.
Sometimes, my dearest,
I will face your fears,
and let myself go
to protect your eyes,
eyes made of gold,
eyes made of naiveness,
eyes made of the times
I'd bleed away
just to be alive.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Cassiopeia


Já não posso mais acreditar
em tua resolução de voltar,
todos os dias, respirando...
Expirando teu hálito quente
entre o pescoço e o peito,
aquecendo meus pés gélidos
e um coração tão longíquo.
Inspirando meus olhares,
minhas músicas e minhas letras,
meus sorrisos e minhas lutas.
Por que resolveste recostar-te
em minhas costas e meus braços,
após abandonar sem dó
meu corpo suado frente a ti,
de lábios cortados de saudade
e a cabeça no esquecimento?
Pois já não faz mais sentido,
essa tua beleza sem razão,
teu corpo de curvas e calor,
teus assim tão radiantes:
voltarem-se a mim
nunca fez sentido.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Nuage


E o bêbado anunciava,
tocando através de nuvens
eras que nunca viu:
"Vendo meu destino!
A qualquer uma que compre:
qualquer par de seios
no qual possa repousar!
Quaisquer pernas firmes
para ser prenha saudável!
Vendo minha vida, barata!
A qualquer uma que permita
meu copo em minhas mãos
e meu sorriso no meu rosto!
Vendo meu destino!
A qualquer resposta,
monossilábica que seja,
a meu aceno pretensioso.
Vendo meu destino...!"
Passos cruzados, ruas
ladrilhadas sem esmero,
saiu da geração perdida
para a geração do silêncio.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Desrespeito

Corpo e alma desalinhados,
passo os olhos por linhas de fogo:
alimento a escoliose espiritual.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Pesadelo


O trilho de aço batido
é frio sob sol e chuva.
O vento e o tempo carregam
pela eternidade as larvas
à espera da carne tua
para refutar a crença
de que existe no bruto aço
e suas medidas corretas
princípio ativo que faz
o mundo mover-se por fim.
Tantos pedacinhos para dar
em trocas tão ruidosas,
tão abruptas, como a divisa
que se fez entre nós tão
tensa sob o microscópio:
cuidadosamente traz
à vista a tela que há,
e há de aqui permanecer,
mantendo de ti afastada
minha prole virtual.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Quando a cortina caiu e gravei sua voz em minha cabeça, perguntei:


Você se lembra de meu nome?
Meus lábios o desenharam
enquanto desejavam os seus:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos serenos,
sereno suave que cai,
cada fresca gota cai
lúcida como quando lhe ouvi
em nosso único momento:
tagarelando, tagarelando,
em lindos sorrisos de sol,
cantando a paixão pelo pai
e o vil amor ao que faz -
amor que devia de ser meu,
sempre meu, a lhe escutar
sempre, sempre seu, quieto:
tagarelando, tagarelando,
despontando os dentes
e os olhos muito negros
em raios de contentamento.