Look there, there's half a man
stranded in between invisible lines
he used to ride as he would.
Would that his words mattered
but only enough to straigh him
back to that old lane of his...
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
domingo, 25 de agosto de 2013
Futuro revisitado
Construí alguns sonhos inexatos
em espaços vazios do meu futuro:
eram feitos de carvão e caprichos.
Um belo desfile de alegorias
e clichês dos mais variados,
mas eles se atrasaram, de repente,
e, de repente, não soube o que fazer:
tinham data e horário marcados,
tinham imprecisões cansadas
e apressadas a trabalhar incessantemente,
tinham dores nas lombares
e naqueles malditos ciáticos e lutavam,
lutavam desastrosamente contra
os ventos do destino, tão opressor,
que os transformou neste escroto
discurso extravagante - violento
contra as métricas e o ritmo -,
oco, empolado, engasgado numa gargante
esgotada, revoltada, puta e cansada
de tanta estética de mentira
se impondo a quaisquer sonhos que ousamos sonhar para transformá-los nesta espera servil pelo próximo
pesadelo.
em espaços vazios do meu futuro:
eram feitos de carvão e caprichos.
Um belo desfile de alegorias
e clichês dos mais variados,
mas eles se atrasaram, de repente,
e, de repente, não soube o que fazer:
tinham data e horário marcados,
tinham imprecisões cansadas
e apressadas a trabalhar incessantemente,
tinham dores nas lombares
e naqueles malditos ciáticos e lutavam,
lutavam desastrosamente contra
os ventos do destino, tão opressor,
que os transformou neste escroto
discurso extravagante - violento
contra as métricas e o ritmo -,
oco, empolado, engasgado numa gargante
esgotada, revoltada, puta e cansada
de tanta estética de mentira
se impondo a quaisquer sonhos que ousamos sonhar para transformá-los nesta espera servil pelo próximo
pesadelo.
sábado, 10 de agosto de 2013
Normal
Mais vezes sim do que não,
certo é desaparecer.
Talvez queira, talvez não,
talvez seja menos claro
do que algo pra por a mão,
mas há dias complicados,
há vozes que não se vão,
há tempos dilacerados
sem porquês pra essa tensão,
e tanta coisa faltando,
bolhas de ar no coração...
certo é desaparecer.
Talvez queira, talvez não,
talvez seja menos claro
do que algo pra por a mão,
mas há dias complicados,
há vozes que não se vão,
há tempos dilacerados
sem porquês pra essa tensão,
e tanta coisa faltando,
bolhas de ar no coração...
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Fado
Desespero iminente da indagação:
por que toda voz que canta aqui
congela todo e qualquer verão?
domingo, 26 de maio de 2013
Eita que se foi sem querer
Eita que a porta fechou.
Mas fechou mesmo?
Olha lá, porta fechada,
vento barrado, cabeça suja:
vassoura e rodo desaparecidos.
Eita que fechou mesmo,
com tanto vento pra entrar,
tanto calor pra sair,
tanto pó para espalhar.
Fechou por dentro ou por fora?
Fechou sozinha, guri:
a porta da rua é serventia da casa,
e sabes que nunca mesmo
quiseste o contrário.
A porta da rua é serventia da casa...
E o que for pra longe da visão,
dona, vai ficar no coração?
Não, não vai. A porta fechou,
e com o espaço do batente
trouxe o sentimento que,
longe dos olhos,
o coração não sente.
Mas fechou mesmo?
Olha lá, porta fechada,
vento barrado, cabeça suja:
vassoura e rodo desaparecidos.
Eita que fechou mesmo,
com tanto vento pra entrar,
tanto calor pra sair,
tanto pó para espalhar.
Fechou por dentro ou por fora?
Fechou sozinha, guri:
a porta da rua é serventia da casa,
e sabes que nunca mesmo
quiseste o contrário.
A porta da rua é serventia da casa...
E o que for pra longe da visão,
dona, vai ficar no coração?
Não, não vai. A porta fechou,
e com o espaço do batente
trouxe o sentimento que,
longe dos olhos,
o coração não sente.
domingo, 21 de abril de 2013
Polirritmia
Lavei minhas mãos, com cuidado,
e me deixei assistir as luzes,
vítimas deste sono holístico
que assombra o horizonte.
A última restou mais que deveria,
a última é a que foi esquecida.
De minha colina mais alta,
vejo o perfil dos prédios
tingir-se com luzes liquefeitas
de cores variadas, verdadeiras,
ilusórias e esperançosas,
também tristes pela mesmice.
Nesse padrão, feito de divindades
e betão, tudo era igual, sempre.
Até que um dia me disseram
que tudo era tão rápido,
que era eu o atônito,
que o mundo mudara
e já não restava paciência
nos dedos vorazes
a bolinar o interruptor.
e me deixei assistir as luzes,
vítimas deste sono holístico
que assombra o horizonte.
A última restou mais que deveria,
a última é a que foi esquecida.
De minha colina mais alta,
vejo o perfil dos prédios
tingir-se com luzes liquefeitas
de cores variadas, verdadeiras,
ilusórias e esperançosas,
também tristes pela mesmice.
Nesse padrão, feito de divindades
e betão, tudo era igual, sempre.
Até que um dia me disseram
que tudo era tão rápido,
que era eu o atônito,
que o mundo mudara
e já não restava paciência
nos dedos vorazes
a bolinar o interruptor.
domingo, 24 de março de 2013
Silêncio
Ei, você, filho do tumulto,
já ouviu falar do silêncio?
Para você não é aquele
absoluto e enlouquecedor,
não é o silêncio de ser
e estar imerso no vácuo.
Para você é a ausência
daquelas vozes que tanto
lhe perturbavam quando
reclamava de tudo
e vivia num Paraíso
feito de tijolos podres,
carinho e discussão.
já ouviu falar do silêncio?
Para você não é aquele
absoluto e enlouquecedor,
não é o silêncio de ser
e estar imerso no vácuo.
Para você é a ausência
daquelas vozes que tanto
lhe perturbavam quando
reclamava de tudo
e vivia num Paraíso
feito de tijolos podres,
carinho e discussão.
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